Segunda, 29 de Novembro de 2021
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Geral Gestão Empreendedora

Horta social custeada pelo TJMS venderá produção para grande rede varejista

Projeto é um exemplo para todo o país.

24/10/2021 07h23
Por: Redação Fonte: Redação
Horta social custeada pelo TJMS venderá produção para grande rede varejista

Estruturada com recursos das penas pecuniárias doadas pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), por meio da Central de Execução de Penas Alternativas (CEPA), a horta da unidade da Fazenda da Esperança de Campo Grande está prestes a realizar sua primeira colheita de pimentões. E o destino da produção também é inédito para o Grupo Pereira, que atua no comércio de varejo e atacado há quase 60 anos, e que, pela primeira vez, deve firmar uma parceria com uma instituição social para o fornecimento de hortaliças para a rede.

A Fazenda da Esperança, comunidade terapêutica para mulheres em recuperação da dependência química, como instituição cadastrada na CEPA, foi agraciada em 2020 com o projeto de estruturação de sua horta. O Tribunal de Justiça destinou R$ 33.376,90 das penas pecuniárias, que é uma prestação em dinheiro, para o projeto de construção da estufa, que conta com cobertura israelense, a qual impede a passagem dos raios ultravioletas, os quais, além de nocivos, atraem também insetos.

Na tarde desta quinta-feira (21), o gerente nacional de hortifruti do Comper/Fort, Marcos Freitas, veio do escritório em São Paulo para atestar de perto a qualidade dos pimentões, acompanhado da coordenadora nacional de controle de qualidade do Grupo Pereira, Deluilma Rodrigues Neves. A visita teve o objetivo de alinhar as tratativas para a colheita da hortaliça, de acordo com o padrão determinado pela rede, cuja expectativa é de que ocorra dentro de 10 dias.

A qualidade da primeira safra está surpreendendo até mesmo os apoiadores da horta social, Éder Aguena, sócio da Cooperativa Agrícola de Campo Grande, e Luis Rogério de Oliveira, engenheiro agrônomo da cooperativa, que, voluntariamente, estão tornando possível que a Fazenda da Esperança forneça hortaliças no mesmo padrão exigido pelo mercado.

Eles acompanharam a visita dos representantes do Grupo Pereira, juntamente com outro parceiro da cooperativa, Fabiano Van Den Bohm, promotor de vendas da Satis, empresa de nutrição e manejo biológico, que também presta assistência técnica de forma voluntária na horta da Fazenda da Esperança.

Essa equipe de voluntários conseguiu a doação de mil mudas enxertadas de pimentões, e garantem a adubação e nutrição das plantas não utilizando pesticidas e substâncias tóxicas, se aproximando mais de uma linha orgânica de produção de alimentos.

“Estamos fazendo aqui um projeto-piloto na região, a ideia é que sirva de exemplo para os nossos produtores cooperados. Muitos deles utilizam técnicas agrícolas mais avançadas como a cobertura israelense, mas acabam por optar pelo uso de pesticidas nas hortaliças. O que fizemos aqui foi reunir diversas técnicas do que há de mais atual e priorizar defensivos orgânicos, a fim de mostrar aos produtores mais tradicionais que é possível produzir com a mesma produtividade e qualidade desta forma”, ressaltou o engenheiro agrônomo Luis Rogério.

As orientações técnicas de como deve ser feito o manejo da estufa são repassadas ao funcionário da instituição, Vicente Isidorio dos Santos, que coordena diariamente as mulheres acolhidas que são designadas a auxiliar nos cuidados da horta.

A responsável pela unidade de Campo Grande da Fazenda da Esperança, Ana Tereza de Oliveira, percebe que o trabalho "mão na terra" funciona como uma atividade terapêutica. “Isso traz um conforto muito grande a elas e eu percebo uma motivação que tem ajudado na recuperação”.

De acordo com Mauro Antonio Zaionc, presidente da Fazenda da Esperança, os planos com relação à utilização dos recursos obtidos com a venda dos pimentões servirão para o rateio dos gastos com  pagamento dos dois funcionários, dos custos de supermercado, remédios, médicos psiquiatras, luz, gás, telefone, até mesmo das despesas com as crianças em idade não escolar que permanecem junto com as mães enquanto elas estão em tratamento na unidade.

Hoje, a casa abriga 13 acolhidas e duas crianças, uma delas recém-nascida. Juntamente com a equipe de voluntárias, que as acompanha 24 horas, são, ao todo, 16 mulheres, além do caseiro e sua esposa.

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