21/05/2020 às 15h58min - Atualizada em 21/05/2020 às 15h58min

Ministro da Saúde tem que ser administrador e governo ainda não entendeu a gravidade

Situação da saúde é caótica na maioria dos Estados

Redação
Reprodução
Os erros de gestão praticados em vários ministérios do Governo Federal preocupam especialistas de todos os setores. A situação é ainda mais crítica na saúde, onde o ministério ficou nas mãos de militares aliados e apoiadores do presidente Jair Bolsonaro.

O primeiro ministro da Saúde da gestão do presidente Jair Bolsonaro, o médico Luiz Henrique Mandetta, montou um time técnico, mas no último mês deixou a cadeira depois de forte pressão política. O segundo ministro da Saúde, Nelson Teich, não durou sequer 30 dias no comando. O presidente e seus ministros da base governamental ainda não entenderam que o cargo requer habilidades de gestão e nenhum outro profissional desempenha bem essa função quanto o administrador.

Desde que o presidente foi eleito, a pressão para que o país tivesse um Ministério da Administração era grande, mas o presidente ignorou a mobilização nos Estados. A situação do ministério preocupa, uma vez que além do ministro, o corpo técnico também precisa ser de gestão e a parte técnica ser especialistas em saúde.

Na semana passada, após a demissão do ministro, Jair Bolsonaro permitiu que nove militares assumissem cargos estratégicos no Ministério da Saúde e isso está provocando desgastes no âmbito político, mas no meio técnico a situação também não é das melhores.

Especialistas se afastaram do ministério por não entender qual é a ideia de tantos militares no comando de uma pasta das mais importantes do momento no país, a Saúde. Mesmo com o clamor das ruas para que Jair Bolsonaro nomeie um profissional de administração para praticar a “gestão da saúde”, é fraco o movimento das instituições que essa demanda se torne realidade.


Aliados políticos do presidente também não entenderam que não se pode fazer “acordos eleitoreiros” em troca da cadeira de ministro, pois a pasta precisa apresentar resultados, caso contrário, pessoas irão morrer em maior quantidade. Não se pode exigir que um médico advogue numa causa, que um arquiteto faça uma cirurgia cardíaca, que um engenheiro faça um planejamento estratégico ou que um administrador dispense medicamentos no lugar do farmacêutico.

Cada profissional precisa estar na sua área, caso contrário é prática e notória a habitualidade do exercício ilegal da profissão de maneira estratégica e imoral, e não nas penalidades da lei, mesmo porque o cargo é político, de livre nomeação do presidente da república. Mas são várias as campanhas que circulam no país dizendo que “cada um na sua área”. Então, porque o governo não segue a prática da boa gestão? Cadê as instituições para se manifestarem e cobrar isso? Cabe a reflexão aos governantes e líderes políticos, pois com tantas mortes, está mais do que na hora de zelar pela boa gestão no Ministério da Saúde.

Mas porque administradores?

É mais do que comprovada à ausência de bons administradores profissionais na gestão da saúde. Pelos quatro cantos do Brasil, os erros são incalculáveis, como montagens de hospitais de campanha sem planejamento e cronograma de atendimento, ausência de equipamentos médicos e medicamentos, atrasos em compras e entrega de insumos de hospitais, falta de equipamentos individuais, compras com valores altíssimos sendo feitas sob a desculpa da emergencialidade da situação, erros em escala e coordenação de equipes com trabalhadores da saúde atuando de forma desgastante e, em muitos casos, desumana, falta de políticas financeiras para uma remuneração melhor por parte de quem está na linha de frente, erros de planejamento de comunicação e marketing para as campanhas, falta de organização de processos administrativos entre o poder público e os fornecedores da iniciativa privada, falta de políticas públicas emergenciais de contas a pagar e receber, tanto de mão de obra quanto de fornecedores, e os principais, que são fiscalização e controle dos recursos financeiros públicos.

Todas essas atividades são de habilidades dos profissionais de administração, que são os gestores devidamente registrados no Conselho Regional de Administração, conhecido como CRA.

Em vários Estados existem inúmeros profissionais habilidosos na gestão da saúde, mas o entrave político pode ser uma grande preocupação. Profissionais ouvidos pela reportagem do DiárioCG afirmam que “enquanto o presidente Jair Bolsonaro não compreender que o cargo e as decisões são técnicas de gestão, e insistir em aliados políticos para a função, a realidade será essa de agora, com inúmeros erros estratégicos e de ação”.

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