20/04/2020 às 07h43min - Atualizada em 20/04/2020 às 07h43min

Abandonados, empreendedores assistem a política de assistencialismo praticada pelos governos

Empreendedores assistem governos praticar a política do assistencialismo e se dizem abandonados.

Redação
Reprodução
As notícias que afirmam diversas linhas de crédito à disposição dos empresários e empreendedores é apenas um belo navio cruzeiro passando pela praia enquanto muitos estão morrendo afogados.
 
É neste sentimento que a categoria daqueles que produzem no país deve estar se sentindo ao ver muitas políticas de assistencialismo e quase nenhuma para atender a quem gera emprego e renda. Enquanto governos federal, estadual e municipal anunciam de entregas de cestas básicas a prorrogação de vencimentos de taxas para pessoas físicas, os pequenos negócios, por exemplo, acompanham a doce ilusão de ver pacotes milionários serem anunciados a juros zero, programas que incentivam a busca pelo capital de giro para injetar na empresa e evitar a demissão e muitas outras atratividades, sequer se tornar parte da sua realidade.
As linhas de financiamento não chegarão aos pequenos empreendedores, por uma motivação muito simples: muitos já estão ficando negativado e sem condições de contrair crédito devido a inúmeras restrições.
 
Pessoas físicas, independente da classe social, acumulam prorrogação de vencimentos de boletos, anuidades, taxas e outros incentivos. Já as pessoas jurídicas, que são as empresas, sofrem com vários obstáculos, entre eles:
 
Negativação do nome por inadimplência;
Baixa de score que influencia no crédito;
Protesto do nome por inadimplência;
Não contam com informações privilegiadas para acesso rápido ao crédito, como é o caso do FCO – linha de financiamento de recursos do Centro-Oeste;
Não prorrogação de certidões negativas;
Cobranças diárias de concessionárias de água, luz, telefone e internet, apesar de algumas delas estarem impedidas de fazer o corte do serviço.
 
As linhas de créditos anunciadas, basta olhar as propagandas, demoram a chegar. No Banco do Brasil, por exemplo, onde é o principal órgão financeiro que libera os recursos milionários do Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste, as informações chegam primeiro aos correntistas. Ou seja, se você não tem conta no banco, depende de outras instituições para montar todo o seu processo e dar entrada na aquisição do crédito. Não precisa ser especialistas para saber que isso vai demorar e aqueles que estão dentro do Banco do Brasil terão acesso de forma mais rápida e chances de conseguir. 
 
Quando o empreendedor pequeno terminar de tramitar seu processo, ele já não terá mais crédito, pois não terá score, não terá nome limpo e sequer condições de contrair o dinheiro, que vale lembrar que não é de graça, é emprestado com juros. A assessoria do Banco do Brasil afirmou que não existe qualquer benefício ou vantagens individual e que todos os trâmites são transparentes e estão a disposição de todos.
 
O DiárioCG tentou contato via WhatsApp com o Banco do Brasil, para testar o sistema, e o resultado foi catastrófico. O sistema não reconhece as perguntas e deixa o atendimento pela metade ou ficando repetitivo. Sobre a negativação em cartórios, a instituição que representa o setor afirmou não possuir qualquer poder para evitar isso, pois cumpre a legislação nacional e aos órgãos federais. Se houver um decreto ou algo parecido que suspenda o protesto ou prorrogue, com certeza os cartórios irão cumprir. Outra informação é que os cartórios também estão se organizando para manter os quase 2 mil empregos em Mato Grosso do Sul, uma vez que não recebem auxílio de nenhum governo.
 
O último pacote de bondade, por exemplo, foi anunciado na casa dos 15 bilhões de reais para os planos de saúde continuar atendendo os clientes inadimplentes. A medida que está sendo anunciada é uma forma de manter no plano de saúde aqueles que, de alguma forma, não estão conseguindo pagar.
 
Porém, a medida é uma afronta a classe empresarial que fornece produtos e serviços para esse meio da saúde, não porque vai atender os inadimplentes, mas porque não obrigará os planos de saúde a pagar as dívidas com os fornecedores. Ou seja, o governo pode injetar R$ 15 bilhões nas empresas mas não obriga elas a liquidarem a dívida com quem tem a receber dos planos de saúde, como clínicas, laboratórios, hospitais e profissionais da saúde autônomos.
 
Um dos casos mais agravantes, por exemplo, é a dívida que os institutos de previdência e as caixas de assistência têm com os fornecedores. Um levantamento feito pelo DiárioCG após consultar um único empresário no Estado, é que o crédito a receber desses locais passa de R$ 500 mil. Segundo o empresário que prefere não se identificar, “é uma falta de respeito e uma falta de humanidade da parte dos que fiscalizam, por exemplo. Cadê os parlamentares que não olham para os empreendedores? Só o trabalhador que precisa comer, pagar conta e se manter? E nós que bancamos o sistema?”, desabafa.
 
Em muitos Estados, as entidades empresariais ainda atuam de forma tímida na defesa das prerrogativas da atividade comercial e a tendência é piorar, uma vez que a moda do mercado agora é a realização de live´s (vídeos ao vivo pela Internet). Muitos planejamentos estão se perdendo devido a pandemia para se tornarem produtores de conteúdos virtuais, mas o que realmente impacta na atividade comercial é a prática dos trabalhos.
 
Nas prefeituras, por exemplo, as secretarias que mais precisariam funcionar para dar suporte ao empreendedor, estão “com equipe reduzida devido ao coronavírus”. Telefones não funcionam, trabalho home-office não é fiscalizado, não tem e-mail de atendimento e os sistemas disponibilizados demoram uma semana para ter uma simples resposta. Ou seja, empreendedores e empresários abandonados por quem deveria dar suporte para que produzam, evitem o desemprego e gerem impostos, que é o principal alimento da máquina pública.
 
Outro setor que está avançando agressivamente para cima dos empresários são os bancos, as famosas instituições financeiras. Com excelentes propagandas e uma produção de primeiro mundo, oferecem todo o tipo de apoio mas escondem as elevadas taxas de juros, valor da tarifa de IOF – Imposto sobre Operação Financeira e esquecem de dizer que sem nome limpo e score, nada se consegue.
 
Resta ao empresário continuar recebendo as taxas para pagar, como impostos, e rezar para que essa pandemia acabe. É necessário acabar, principalmente porque a demagogia e a hipocrisia em se anunciar na internet dizendo que está fazendo isso ou aquilo estão provocando uma ira da classe que produz e banca todo o sistema que não funciona.
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