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Com participação de ministra, evento debate efetivação da presença das mulheres no poder

Uma conta que não fecha: em Mato Grosso do Sul, as mulheres representam 52% do eleitorado, mas ocupam apenas 18% das cadeiras das Câmaras de Veread...

11/07/2024 18h25
Por: Redação Fonte: Assembleia Legislativa - MS
Com plenário repleto de pré-candidatas a vereadoras, evento discutiu a importância de presença das mulheres na política e outros espaços de poder
Com plenário repleto de pré-candidatas a vereadoras, evento discutiu a importância de presença das mulheres na política e outros espaços de poder

Uma conta que não fecha: em Mato Grosso do Sul, as mulheres representam 52% do eleitorado, mas ocupam apenas 18% das cadeiras das Câmaras de Vereadores dos 79 municípios. Essa disparidade integra um problema que impede o exercício pleno da democracia no Brasil: a pouca presença das mulheres nos espaços de poder. O problema foi debatido em evento realizado na tarde desta quinta-feira (11) na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS) e que contou com a presença da ministra das Mulheres, Cida Gonçalves.

Foto: Reprodução/Assembleia Legislativa - MS
Foto: Reprodução/Assembleia Legislativa - MS
Arte: Luciana Kawassaki

O encontro, proposto pela deputada Mara Caseiro (PSDB), presidente da Comissão Permanente de Defesa dos Direitos da Mulher e Combate à Violência Doméstica e Familiar, foi realizado em parceira com Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Cidadania, e com o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS). Além de discutir, de modo geral, a  necessidade de se aumentar a participação feminina na política, o encontro também objetivou apresentar informações relevantes às pré-candidatas a vereadoras, que estiveram, em peso, no plenário.

Além da deputada Mara Caseiro e da ministra Cida Gonçalves, participaram do evento diversas outras autoridades: as deputadas Gleice Jane (PT) e Lia Nogueira (PSDB) e os deputados Paulo Duarte (PSB) e Professor Rinaldo Modesto (Podemos), que também integram a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, e, ainda, o deputado Pedro Kemp (PT). Também estiveram presentes a secretária de Cidadania, Viviane Luiza da Silva, o procurador-geral de Justiça do MPMS, Romão Ávila Milhan Júnior, a coordenadora do Núcleo de Cidadania do MPMS, promotora Clarissa Carloto Torres, a conselheira substituta do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MS), Patrícia Sarmento dos Santos, a subsecretária de Políticas Públicas para as Mulheres, Manuela Nicodemos Bailosa, entre outras autoridades.

Não apenas cotas nas candidaturas, mas também nas cadeiras legislativas

Foto: Reprodução/Assembleia Legislativa - MS
Foto: Reprodução/Assembleia Legislativa - MS
Deputada Mara Caseiro coordenou os trabalhos do evento

“Reunimos aqui para abordar um tema de vital importância para o desenvolvimento justo e equitativo de nossa sociedade: a ocupação de espaço de poder pelas mulheres, especialmente no campo da política”, começou dizendo a deputada Mara Caseiro. “Vivemos em um mundo onde, apesar de avanços significativos, a igualdade de gênero está lon

ge de ser alcançada”, acrescentou Mara Caseiro, apresentando dados da ONU Mulheres, segundo os quais apenas 25% dos parlamentares em todo o mundo são mulheres. “Isso significa que três quartos das decisões políticas ainda são tomadas predominantemente por homens, um desiquilíbrio que precisa ser corrigido”, concluiu.

A deputada defendeu a necessidade de aprofundamento das políticas afirmativas para que sejam asseguradas não apenas cotas nas candidaturas, mas também cadeiras nas Casas Legislativas para as mulheres. “Para alcançar essa mudança, é imprescindível a implementação de políticas afirmativas, como já ocorre em outros países, que garantam a participação das mulheres no Parlamento e demais esferas do poder. Isso inclui a adoção de cotas de gênero que asseguram o percentual mínimo de mulheres candidatas e, mais que isso, assentos nas Casas Legislativas”, afirmou a parlamentar.  

As deputadas Lia Nogueira e Gleice Jane também defenderam a necessidade do fortalecimento da presença feminina nos lugares de poder. “Nós estamos em um ano em que a nossa voz deve ser ecoada em todo o país”, disse Lia Nogueira em referência à importância de 2024 como ano eleitoral. “Não queremos estar na frente dos homens. Queremos estar do lado deles, construindo política boa. Porque é assim que se transforma uma sociedade”, concluiu.

Gleice Jane frisou a relevância da conexão entre as mulheres. “Precisamos compreender que é essa conexão entre nós mulheres que vai fazer com que a gente mude essa estrutura do Estado, essa estrutura da política”, disse a deputada. Ela ainda fez ligeira análise histórica, comentando que a política no Brasil foi estruturada para ser exclusividade dos homens. “Nunca fomos convidadas para estar nos espaços públicos. Nós tivemos que ousar, nos organizar e ocupar esses espaços”, finalizou.

Mulheres no poder e consolidação da democracia no país

Foto: Reprodução/Assembleia Legislativa - MS
Foto: Reprodução/Assembleia Legislativa - MS
Cida Gonçalves destacou a relação de igualdade de gênero e democracia

A maior presença de mulheres nos espaços de poder se insere no processo de consolidação da democracia. A relação foi feita pela ministra Cida Gonçalves. “Nós precisamos pensar a democracia no país a partir do que de fato representa a democracia. Nós somos 52% da população e nós somos 53% do eleitorado brasileiro. Mas, infelizmente, o lugar das mulheres hoje no país não é o lugar da democracia, não é o lugar da participação. É o lugar da exclusão, o lugar da não visibilidade e da não fala. Essa é a primeira reflexão que temos de fazer”, considerou a ministra.

Cida Gonçalves também falou sobre o que significa a violência política de gênero, uma das formas de manifestação de ódio às mulheres. “Esse ódio é cotidiano, é permanente, é justificado, é autorizado, é permitido em nosso país. Ele é tão permitido que a violência se reinventa a cada momento”, afirmou. “Violência política de gênero é desacreditar da palavra da mulher, é achar que ela não é inteligente suficiente para terminar uma frase. Ou é simplesmente dizer que ela não tem competência para estar naquele lugar. Isso é violência política de gênero”, conceituou a ministra.

A importância de se avançar na política de cotas também foi defendida pela ministra Cida Gonçalves. “Estamos no limite da discussão das cotas. Nós somos 52% e por que somos apenas 30% das candidaturas? Essa matemática não bate. E os partidos não cumprem as cotas, não pagam multa. Também colocam ‘laranjas’ para disputar as eleições, burlam a legislação. Queremos a legislação que seja cadeiras [nos parlamentos]. Além disso, precisamos reorganizar as estruturas partidárias”, disse.

Palestras

Foto: Reprodução/Assembleia Legislativa - MS
Foto: Reprodução/Assembleia Legislativa - MS
Encontro contou com a presença de parlamentares e outras autoridades

Na segunda parte do evento, o promotor de Justiça Moisés Casarotto, coordenador do Núcleo Eleitoral do MPMS, e a promotora de Justiça Mayara Santos de Souza, também do MPMS, proferiram palestras. Casarotto falou sobre os direitos das candidatas mulheres e a promotora Mayara Santos palestrou sobre a violência política de gênero.

A subsecretária Manuela Nicodemos Bailosa também ocupou a tribuna para falar sobre a presença das mulheres e toda sua diversidade política para a garantia da democracia. Durante sua palestra, ela mencionou que a página multimídia "ALEMS e Elas" , que reúne informações sobre as atividades parlamentares contra a violência de gênero e a favor da promoção dos direitos das mulheres. 

Confira a apresentação sobre os direitos das mulheres candidatas clicando aqui. E veja aqui a apresentação sobre a violência política de gênero.

Serviço

O encontro contou com a cobertura jornalística da Comunicação Institucional da ALEMS. Veja abaixo o evento na íntegra:

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