
A Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande (SESAU) vive um dilema que parece ser apenas o começo de trocas confusas no alto comando.
Circula nos meios de imprensa e nos bastidores da política da capital sul-mato-grossense que o atual secretário de Saúde, José Mauro Filho, deve deixar o comando da pasta devido a inúmeras reclamações de gestão, principalmente pelo caos nos postos de saúde. Mas as notícias não incluem a precariedade das UPAs.
Apesar de ter visivelmente inúmeros erros de gestão na Saúde da Capital, os indicadores, segundo o atual secretário José Mauro, são bons e podem ser melhorados.
Porém, dois vereadores médicos estariam medindo esforços para “tomar” a principal secretaria do momento de Campo Grande, a da Saúde. Um deles é o vereador médico Victor Rocha, conhecido popularmente por sua ligação ao ex-prefeito Alcides Bernal no ano de 2015. Victor chegou inclusive a ser nomeado como secretário Adjunto de Saúde na gestão do administrador Ivandro Fonseca que acabou assumindo a pasta logo que Bernal derrotou o mega time político de Edson Giroto e André Puccinelli.
Há quem diga que os “fãs políticos” do médico e vereador Victor Rocha passaram o dia de ontem pedindo apoio formal para que ele assumisse ainda esta semana a Secretaria Municipal de Saúde. A pressão foi grande em cima dos sindicatos, conselhos e demais entidades de classe, mas somente dois sindicatos concordaram, o representante dos odontologistas-dentistas e dos médicos.
O DiárioCG não tem conhecimento de que algum conselho de classe ou os demais 12 sindicatos dos trabalhadores das áreas da saúde tenham assinado algum tipo de documento chancelando a indicação de Victor para a pasta. Ele foi secretário Adjunto de Saúde na gestão do prefeito Alcides Bernal e do vice-prefeito e pastor, Gilmar Olarte.

Informação levantada pelo DiárioCG é de que os vereadores querem pressionar a prefeita Adriane Lopes para “nomear a qualquer custo” a indicação do legislativo e assim acabar com a pressão política e, indiretamente, contribuir com a gestão que passa por diversas crises no parlamento, principalmente com as declarações do vereador Marcos Tabosa, que é liderança sindical dos servidores municipais.
Já o médico Sandro Benites, outro que pode estar costurando para assumir o cargo se secretário, encontra dificuldades, principalmente porque é um apaixonado politicamente pelo presidente Jair Bolsonaro e o momento não favorece.

“Se a prefeita Adriane Lopes nomear o Sandro agora, estará concordando com a campanha de Bolsonaro no segundo turno e automaticamente seu voto ao Capitão Contar. Ou seja, é muito além de uma nomeação. É algo estranho ela ter que se encurvar politicamente para a Câmara de Vereadores neste momento e pedir benção ao legislativo”, disse uma fonte da Saúde ao comentar a situação.
Sandro Benites é médico e foi um dos maiores defensores do Kit-Covid em Mato Grosso do Sul. Ele pegou a mesma linha de trabalho do presidente Bolsonaro e seguiu seu expediente 24 horas por dia nesta demanda, provocando debates acalorados nas redes sociais e no dia a dia das famílias.

Nos bastidores dos servidores da Saúde, as duas indicações parecem não agradar muito. Além dos odontologistas e médicos, as demais classes de profissionais da Saúde estão se perguntando nos bastidores: porque o secretário de Saúde precisa ser necessariamente um médico? Será que não pode ser um enfermeiro? Um farmacêutico, um psicólogo ou um fisioterapeuta?
São respostas que só competem a prefeita Adriane Lopes que vive uma gestão conturbada no momento, mas que está garantindo o equilíbrio político e econômico até o momento, mas com olho na sucessão presidencial.
Na última campanha, a prefeita fez mobilização para reeleger seu esposo, o deputado estadual Lídio Lopes, forte aliado do prefeito Marquinhos Trad e da médica Viviane Orro, ambos derrotados nas urnas. A prefeita tem a oportunidade de iniciar sua gestão independente, mas sem pressão dos vereadores.
O DiárioCG segue acompanhando os bastidores da política.
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