O silêncio por parte de muitos empresários e algumas entidades de classe em relação a região central de Campo Grande e as principais avenidas de bairro preocupa o cenário de desenvolvimento da Capital de Mato Grosso do Sul.
Na região central, tudo está como um canteiro de obras e o desenvolvimento será o futuro, mas no momento o que se vê é a sensação de que as obras nunca irão terminar e não há aos olhos da população empreendedora uma estimativa de quanto isso vai ser concluído para que empresários possam voltar a crescer.
Os consumidores fugiram do centro e estão indo para shoppings e centros comerciais. Os prejuízos são enormes, ainda mais depois de uma pandemia que durou quase três anos.
A fúria das lideranças empresariais que criticaram a gestão do prefeito Marquinhos Trad que esteve a frente do município durante a pandemia, parece que desapareceu no mandato da atual prefeita Adriane Lopes. A pandemia acabou e a sensação é de que a cidade está a mil maravilhas, com apoiadores da gestão municipal divulgando vídeos e fotos lindas pelas redes sociais.
Lojas sujas com poeira para tudo quanto é lado, comércio fechando, trabalhadores perdendo o emprego, prejuízos para motoristas que acompanham os veículos serem depreciados com buracos, sinalização precária, semáforos desligados ou com problemas, tapumes prejudicando os pedestres, faixas de ônibus "moderna" causando confusão e até contribuindo com mortes no trânsito, cadeirantes sem condições de transitar nas calçadas, entre outros problemas estão na lista apenas da ponta do descaso.
O abandono está de obras no centro a escolas públicas. A população se pergunta onde andam as fiscalizações da gestão pública? Devido a essa sensação de que nada acontece para melhor, o município de Campo Grande segue como uma Capital de Estado totalmente "maquiada pela publicidade positiva" mas que nunca melhora a vida da população que paga impostos bancando toda a classe política e o sistema público.

Ao abandonar o centro e dar preferência para os bairros, o que o consumidor encontra é escuridão, lâmpadas de led com problemas transformando ruas em festas rave (de música eletrônico com o strobo piscando), buracos, esquinas sem sinalização, mais poeira e algumas obras que parecem nunca ter fim.
Boa parte da população se pergunta porque encher a cidade de obra agora, em ano eleitoral e logo depois de uma pandemia que quebrou muitas empresas? porque não deixar as empresas se recuperarem para depois planejar novos investimentos?
Empresários não estão tendo descontos em nada de imposto e também se sentem abandonados e assistindo quem tinha que fiscalizar ficar de braço cruzado. As fiscalização ocorrem apenas na saúde e o setor empresarial fica no escuro.
Enquanto empresários assistem seus funcionários passarem raiva e vergonha com o transporte coletivo, resta ao setor produtivo pagar a conta três vezes: a primeira quando a Prefeitura de Campo Grande realizou a licitação com o Consórcio Guaicurus, a segunda quando eles pagam o passe de ônibus mensalmente aos seus colaboradores e a terceira recentemente ao ver Estado e Prefeitura "darem mais dinheiro" para os empresários não pararem de circular os ônibus.

O Centro Belas Artes é um câncer na história da gestão pública da Capital. Já foi algo de promessas de vereadores, prefeitos e, se duvidar, até do presidente do Brasil, mas nunca saiu do matagal. E o local parece também não ter fiscalização alguma por parte de quem deveria fiscalizar. Recentemente um vereador esteve no local, fez algumas fotos, questionou em suas redes sociais, mas nada avançou. Ficou tudo na mesma.
Campo Grande se tornou terra do descaso e os problemas apenas aumentam. Enquanto muitas lideranças classistas assistem e praticamente toda a classe política segue pensando apenas na reeleição, quem está produzindo gerando emprego e renda tem que esperar um milagre.
Ao término do processo eleitoral, sobrará apenas cabides de emprego, impostos, obras mal feitas como várias na região central que sequer foram concluídas e já estão precisando de manutenção - muitas ruas sem acabamento nas tampas de bueiros - e com certeza o município de Campo Grande encaminhará para a Câmara Municipal um pedido para contrair empréstimos para pagar as contas, sem qualquer planejamento orçamentário ou humano.

Nos grupos de WhatsApp, as reclamações se acumulam em torno do descaso das obras do centro, principalmente pela falta de publicidade e comunicação do cronograma, fechamento de vias, quebra-quebra nas calçadas e outros problemas.
O retrato de Campo Grande é uma cidade maquiada e sem perspectiva de avanço. As únicas mudanças que a gestão municipal realizou nos últimos meses foi a troca do secretário de comércio e a troca do secretário de Comunicação que tentam dar um novo ânimo ao município mas infelizmente não parecem não conhecer a realidade.
A pergunta que fica é: quando alguma liderança classista ou política vai apresentar um projeto ou lutar para que empresários sejam isentos de impostos em períodos em que não possam trabalhar na sua empresa devido a essas obras intermináveis? Mas, o que de fato as pessoas querem é trabalhar e não viver de doações. O DiárioCG está preparando uma série de reportagens para mostrar o descaso bairro a bairro de Campo Grande.
(Fotos/reprodução: Midiamax e Campo Grande Notícia)
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